segunda-feira, 24 de novembro de 2008


Enviado por ANTÔNIO MARIANO JÚNIOR, 21/11/2008 às 13:15 MÃE DE CANTO, YÁ DO SAMBA

Enviado por ANTÔNIO MARIANO JÚNIOR, 21/11/2008 às 13:15
MÃE DE CANTO, YÁ DO SAMBA
ANDREAS HOFBAUER/ARQUIVO PESSOALYÁ MUKUMBY, RESPEITADA MÃE DE SANTO DE LONDRINA, COMEMORA 40 ANOS DE SACERDÓCIO COM O ESPETÁCULO “VILMA – DE TODOS OS – SANTOS: SAMBAS CLÁSSICOS E PROFANOS EM VOZ FORTE E VOLUMOSABato palmas em frente à casa simples e acolhedora. Ouço ao longe: “Entra, fio, tô aqui na cozinha”. Peço licença, agô. Um imenso sorriso me dá as boas vindas.
Beijo o rosto, abraço aquela senhora tão generosa que prepara comida aos seus. “Cozinhando não, tô ajambrando”, responde com bom humor. Quanto prazer essa negra valente e de olhos infinitos encontra no cotidiano. Quanto!
Senhores, dona Vilma Santos. Ou Yá Mukumby, nome de origem quimbundo adotado há 40 anos quando os santos lhe deram o axé vital para tornar-se uma sacerdotisa do candomblé. Mãe de santo, yalorixá! Ogum de frente, Iansã com Obaluaê no ajuntó, a alternância dos orixás.
Nação “Angola bate-folhas”, zeladora do Ylê Axé Ogum Mege, filha de Yoá Doessi Belé. Aos 58 anos, Dona Vilma popularizou o candomblé em Londrina com a transcendência dos metais de Ogunhê.
Eu a chamo Dona Yá, redundância afetiva. Respeitadíssima em Londrina, Dona Vilma tem muita história para contar. E cantar! E como canta, viu?! Cante, Dona Yá.
Músicos a postos, imagens projetadas no telão, referências. Em off, uma voz forte e volumosa entoa os versos iniciais de “Canto das três raças”. Entra em cena Yá Mukumby elegantemente trajada (são quatro trocas de figurino, em que prevalece a cor azul de Ogum) e cantando sambas clássicos e profanos.
Impactante a imagem daquela mulher que imprime dinâmica própria às canções. Diz ela não ter muito ouvido aos instrumentos de cordas, que se “afina” pela percussão. Olha só!
É uma sambista. Diz ela que não é. Nós que fomos ao show “VILMA – de todos os – SANTOS” afirmamos que sim. O espetáculo faz parte das comemorações de quatro décadas de iniciação no candomblé. Haverá mais três apresentações, uma delas acontece nesta sexta-feira (dia 21), às 18h30, na Concha Acústica.
“VILMA – de todos os – SANTOS “ é dividido em quatro atos: Abertura, Pé na cozinha, Orelha no rádio e Axé dos seus ancestrais. Santos da música popular brasileira: Caymmi, João da Bahiana, Lupicínio Rodrigues, Noel Rosa, Wilson Batista, Silas de Oliveira, João Bosco, Aldir Blanc, Martinho da Vila e Pixinguinha em “Yaó” (iniciados).
Yá gosta desse batuque porque São Pixinguinha inseriu elementos das religiões afros (Jacutá - terreiro; akikó -galo) no samba do Rio de Janeiro.
Cores impávidas sobre a negra pele. Voz que parece ter visto Dorival Caymmi falando com Oxum e olhos de quem ouviu o som de rubras cascatas brotadas das costas dos santos, chibatas.
“VILMA – de todos os – SANTOS” vai cativando, cativando até a platéia arriar embrutecimentos. Batemos palmas em frente ao palco. Yá cantadora de samba. Yá do sorriso grande. Yá artista da vida. Yá do bem-querer.
Acabou o show? Não! No meio da platéia, ela rasga as convenções com sambas de roda há tempos colhidos. Sambas profanos, de senzala, de resposta, de caboclo! Forma-se a roda. Cantamos, dançamos, rimos, queremos mais: “Eu quero me casá com uma dúzia de muié/ Três Ana, três Maria, Três Bastiana, três Zabé”
A festa vai longe. Há um brilho a mais nos olhos de Dona Yá, mãe de santo, mãe de canto. “VILMA – de todos os – SANTOS” merece registro audiovisual. Quando sai mesmo? Queremos!
A senhora está comemorando os 40 anos de sacerdócio com um show de samba. Por quê?
(risos) É interessante porque as pessoas perguntam se vai haver uma festa no Ilê (terreiro). Eu respondo que sim, não marquei a data ainda, mas terá uma comemoração aos 40 anos do meu santo, sim. Sempre trabalhei com projetos de samba de roda, cantei um pouquinho aqui e ali mais para divulgar a cultura do samba, as cantigas sacras. O Bernardo Pellegrini (amigo, jornalista, escritor, homem de idéias), com quem venho conversando desde 1994, mais ou menos, propôs fazer uma produção para que eu cantasse música popular, samba. Veio a calhar agora.
ANDREAS HOFBAUER/ARQUIVO PESSOALGUARDIÃ DOS MISTÉRIOS E FASCÍNIO DO CANDOMBLÉ, NO PALCO DONA VILMA TRANSFORMA-SE EM ARTISTA DE GRANDE EXTENSÃO: “TUDO O QUE É CULTURA POPULAR É COMIGO MESMO”
A senhora se considera uma sambista, Dona Vilma?
(risos) Não. Atualmente estou interpretando samba, mas não me considero sambista. Eu gosto, aprecio muito o samba. Aliás, tudo o que é cultura popular é comigo mesmo. Ah, não tem como não gostar de samba principalmente quem faz candomblé e trabalha com os mitos afros.
Os sambas têm um excelente aparato instrumental, alguns mais lentos outros mais rápidos. Qual a dinâmica do show?
A dinâmica é como eu consigo cantar. Na verdade, eu não tenho tanto ouvido musical para o violão, acordeon, baixo... Eu me afino, me levo pela percussão que me norteou a vida inteira porque no candomblé prevalecem as cantigas e a percussão.
O samba sai do terreiro ou o terreiro vai ao samba?
O samba sai do terreiro com o nome de semba. Canto no show alguns sambas de roda também chamados de vadiagem. A vadiagem era o que os escravos cantavam nas senzalas. Nesses sambas eles falavam do feitor, do que aconteceu no dia, de quem bateu, de quem apanhou, de quem maltratou, de namoro, de um monte de coisas.
Eram códigos, forma de protesto?
Era uma forma de contar aos demais escravos o que estava acontecendo. Os sambas eram improvisados, era uma maneira de se conversar. Então, se os sinhôs e as sinhás ouvissem não dariam conta do que estava se passando, do que estava se narrando.
A sensação de pisar no palco e comemorar 40 anos de ofício qual é?
Eu continuo levando minha vida... Eu lavo roupas, passo roupas, cozinho, dou oficinas, faço os ebós (comidas dos santos), atendo as pessoas no terreiro, sou militante do movimento negro... Então cantar no palco para mim é engraçado.
Engraçado?
(risos) É, porque pode até parecer que eu não tenho mais nada o que fazer...
Que tipo de cantora a senhora é?
Não sei... Eu só canto! Dá um frio na barriga, um nervosismo de saber que não sou uma cantora de fato e que estou lá no palco... Ainda bem que não desafino, tenho uma voz legal, mas fico meio assim porque tem muita gente boa cantando por aí, fio.
A senhora sobe ao palco como Yalorixá ou como cantora?
(risos) Eu subo como dona Vilma, conforme sou tratada por aí, mas claro que não me esqueço que sou Yá Mukumby.
A senhora não teme que as pessoas possam pensar ser um show com cantos de candomblé, de macumba?
Tem essa coisa sim. Mas olha, eu sinto que levei o candomblé para as ruas. Eu realmente sinto isso! Se tem uma festa de santo no meu terreiro para lá vão pessoas de todas as camadas sociais... Tem uma coisa: eu bato no peito e digo sempre que sou negra e macumbeira e vim para trazer cultura popular e candomblé sem meter medo.
A palavra macumba mete medo nas pessoas, né?
Mete medo, sim! E eu uso essa palavra para chamar a atenção mesmo. Há pessoas que falam assim: “ela é legal, mas será que faz mal para alguém?”. Eu respondo que sou macumbeira porque macumba é um ritmo. E se eu danço esse ritmo para os orixás, portanto, sou macumbeira. E sou feiticeira também porque faço os ebós, os benzimentos. Fazer tudo isso é feitiço, magia.
O que caracteriza senhora é a generosidade. A senhora não faz mal...
Há quem ache... Existe muita discriminação e quando percebo isso eu tento mostrar o que faço. Muitos que me discriminavam hoje vão à minha casa e dizem: “ah, eu não imaginava que fosse assim”. Isso é o chamado pré-conceito. Digo sempre: “você não me conhece, não sabe o que eu faço, nunca assistiu a um culto, então o que tem a falar”. Participe, vá ver e tire suas conclusões. Visitem um terreiro e faça o seu conceito.
O que a senhora aprendeu nesses 40 anos de candomblé?
Tudo. Eu poderia catar papel, morar debaixo de marquises, de pontes... Ser negro no Brasil ainda é muito complicado... Sou filha de mãe viúva, ela me criou com muitas dificuldades, a gente nunca teve dinheiro pra nada. Nunca vivi do candomblé porque meu trabalho não está pautado em dinheiro. Então, eu sinto que o candomblé me deu tudo... Tenho o respeito das pessoas, tenho dignidade. Não tenho curso superior, não pertenço à academia, participo de palestras e converso com mestres, doutores, não só aqui em Londrina como país afora.
ANDREAS HOFBAUER “O SAMBA SAI DO TERREIRO COM O NOME DE SEMBA. MACUMBA É UM RITMO E SE DANÇO ESSE RITMO PARA OS ORIXÁS, PORTANTO, SOU MACUMBEIRA”, AFIRMA A YALORIXÁ " style="WIDTH: 523px! important" alt="ANDREAS HOFBAUER / “O SAMBA SAI DO TERREIRO COM O NOME DE SEMBA. MACUMBA É UM RITMO E SE DANÇO ESSE RITMO PARA OS ORIXÁS, PORTANTO, SOU MACUMBEIRA”, AFIRMA A YALORIXÁ " src="http://portal.rpc.com.br/midia_tmp/600--yaop3011110.jpg.jpg">“O SAMBA SAI DO TERREIRO COM O NOME DE SEMBA. MACUMBA É UM RITMO E SE DANÇO ESSE RITMO PARA OS ORIXÁS, PORTANTO, SOU MACUMBEIRA”, AFIRMA A YALORIXÁ
Dignidade!
Ah, sim! Eu nunca menti, nunca deixei de assumir minha religião para poder entrar nos lugares. Todos sabem que sou uma Yalorixá e que, portanto, tenho que ser respeitada como sou: uma sacerdotisa. Faço parte de um clero, que é uma palavra que pode ser usada por todas as religiões, mas que a igreja católica se apossou.
O Brasil não tem o hábito de discutir a cultura afro. Por quê?
Não é interessante, né?
Isso é uma ironia, Dona Vilma?
Sim. Porque para discutir esse assunto as pessoas teriam que cair na real. E a realidade do branco brasileiro, eu diria, passa pela África e não seria interessante para muitos se deparar com isso. Então acham melhor não mexer com isso. Hoje temos a lei número 10.639 que começa a exigir que o professor se capacite a ensinar a história do negro nas escolas. Por quê hoje? Porque as pessoas estão começando a perceber que não dá mais para esconder essa realidade.
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SERVIÇO
MILTON DÓRIAVILMA – de todos os SANTOS, show com Vilma Santos. Músicos: Marco Scolari (acordeon, violão e direção artística), Bernardo Pellegrini (violão e voz), Ricardo Penha (contrabaixo), Marcelo Siqueira, Vlad e Vítor Jubiabá (percussão). Participação especial de Braga.
DIAS E LOCAIS: Concha Acústica (dia 21, às 18h30), Teatro Zaqueu de Melo (dia 23, às 21 horas); Calçadão (dia 29, às 10h30). Dezembro: dia 14 na festa Quizomba, em horário e local a serem definidos.REPERTÓRIO
Abertura: Na cadência do samba/Que bonito é (Luís Bandeira)/ Canto das três raças (Mauro Duarte/ Paulo Pinheiro). Pé na Cozinha: Yaô (Pixinguinha)/ Batuque na cozinha (João da Baiana)/ Vatapá (Dorival Caymmi)/ Samba da piedade (Ary Barroso). Orelha no rádio: Louco (Wilson Batista)/ Se acaso você Chegasse (Lupicínio Rodrigues/ Felisberto Martins)/ O neguinho e a senhorita (Noel Rosa / Abelardo Silva)/ O mestre-sala dos mares (João Bosco/ Aldir Blanc)/ Nostalgia (Nelson Pascoal). Axé dos Ancestrais: Semba dos ancestrais (Rosinha Valença/ Martinho da Vila)/ Aquarela brasileira (Silas de Oliveira)/ Samba de roda (domínio público).OBS: roteiro sujeito a acréscimos de músicas.

domingo, 19 de agosto de 2007


Dona ta reclamando,

porque nos estamos chegando agora,

Eu acho impossivel dona

Eu acho impossivel dona

sempre se chegar na hora

A rua tem barrancos,

Nao se deve andar na carreira

Um esbarra no outro

Nao podemos trocar as passadas ligeiras

(Domingos minguinho)


CONVERSA DE BOI...boi, boi, boi,boi,boi, boi,boi....






Bumba-meu-Boi, boi-bumbá ou pavulagem é uma dança do folclore popular brasileiro, com personagens humanos, animais e fantásticos, que gira em torno da morte e ressurreição de um boi. Hoje em dia é muito popular e conhecida.
Indice-origem
2 Bumba-meu-boi no Maranhão
3 Festa em Parintins
4 Ligações externas

[editar] A origem
A origem do boi-bumbá remete ao século XVIII, resultante das divergências e do relacionamento entre os escravos e os senhores nas casas grandes e senzalas.
Refletia as condições sociais de negros e índios.
A essência da lenda enlaça a sátira, a comédia, a tragédia e o drama, e demonstra sempre o contraste entre a fragilidade do homem e a força bruta de um boi.
A festa do boi-bumbá surgiu no nordeste do país, mas disseminou-se por quase todos os estados da Amazônia e Pará em especial o Amazonas, visitado anualmente por milhares de turistas que vão para conhecer o famoso Festival Folclórico de Parintins, realizado desde 1913.
Do ponto de vista teatral, o folguedo deriva da tradição espanhola e da portuguesa, tanto no que diz respeito ao desfile como à representação propriamente dita; tradição de se encenarem peças religiosas de inspiração erudita, mas destinadas ao povo para comemorar festas católicas nascidas na luta da Igreja contra o paganismo. Esse costume foi retomado no Brasil pelos jesuítas em sua obra de evangelização dos indígenas, negros e dos próprios portugueses aventureiros e conquistadores no catolicismo, por meio da encenação de pequenas peças.
Como dança dramática, o bumba-meu-boi adquire através dos tempos algumas características dos autos medievais, o que lhe dá o seu caráter de veículo de comunicação. Simples, emocional, direto, linguagem oral, narrativa clara e uma ampla identificação por parte do público, tomando semelhanças com a comédia satírica ou tragicomédia pela estrutura dramática dos seus personagens alegóricos, os incidentes cômicos e contextuais, a gravidade dos conflitos e o desenlace quase sempre alegre, que funciona como um processo catártico.
Ao espalhar-se pelo país, o bumba-meu-boi adquire nomes, ritmos, formas de apresentação, indumentárias, personagens, instrumentos, adereços e temas diferentes. Dessa forma, enquanto no Maranhão, Rio Grande do Norte e Alagoas é chamado bumba-meu-boi, no Pará e Amazonas é boi-bumbá ou pavulagem; em Pernambuco é boi-calemba ou bumbá; no Ceará é boi-de-reis, boi-surubim e boi-zumbi; na Bahia é boi-janeiro, boi-estrela-do-mar, dromedário e mulinha-de-ouro; no Paraná, em Santa Catarina, é boi-de-mourão ou boi-de-mamão; em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Cabo Frio é bumba ou folguedo-do-boi; no Espírito Santo é boi-de-reis; no Rio Grande do Sul é bumba, boizinho, ou boi-mamão; em São Paulo é boi-de-jacá e dança-do-boi.
O boi era considerado animal sagrado no Grécia Antiga. O deus Sol também tinha seus bois, de brancura imaculada e providos de chifres dourado. É, sem dúvida, por este caráter sagrado e por suas relações com os ritos religiosos que o boi era também considerado símbolo do sacerdote.

Bumba-meu-boi no Maranhão
No Maranhão o bumba-meu-boi delimita um universo rico e pujante, que mistura lazer, trabalho, compromissos, festas, artes, ritos, mitos, performances, crenças e devoção. Envolve milhares de maranhenses ao longo de seu ciclo festivo, que se estende durante quase todo o ano, embora seu período de maior ebulição esteja concentrado no mês de junho. Em linhas gerais, consiste na brincadeira que faz dançar, cantar e tocar, em volta de uma carcaça de boi bailante, um agregado de pessoas que se tratam por brincantes. Esses brincantes organizam-se em grupos conhecidos localmente como bumba-meu-boi, bumba-boi ou simplesmente boi. O universo do bumba-meu-boi comporta diversos sotaques ou estilos de brincar: sotaque da ilha, sotaque de orquestra, sotaque da baixada. Cada sotaque engloba uma série de grupos com determinadas características que os aproximam entre si e os separam de outros grupos pertencentes a outro sotaque; todos os sotaques, contudo, são vistos como partes, ou aspectos, de um mesmo fenômeno cultural.
O bumba-meu-boi no Maranhão é parte integrante das festas juninas, aonde de início os grupos só se apresentavam do dia 24 de junho, dia de São joão até o dia 30 do mesmo mês, dia de São Marçal. Mas na verdade, a festa no Maranhão começa mesmo no mês de março, após as arrecadações para a brincadeira, quando começam a montar as roupas e o próprio boi, sendo este feito em fibra de buriti e seu couro é feito de veludo revestido por missangas e só termina após a morte do boi, que geralmente ocorre no mês de outubro.Bibiliografia
CARVALHO, Maria Michol Pinho de. 1995. Matracas que desafiam o tempo: é o bumba-boi do Maranhão. São Luís: s/e.
PRADO,
RBibiliografia
CARVALHO, Maria Michol Pinho de. 1995. Matracas que desafiam o tempo: é o bumba-boi do Maranhão. São Luís: s/e.
PRADO, Regina de Paula Santos. 1977. Todo ano tem: as festas na estrutura social camponesa. Dissertação de Mestrado em Antropologia. Rio de Janeiro: PPGAS-MN/UFRJ. egina de Paula Santos. 1977. Todo ano tem: as festas na estrutura social camponesa. Dissertação de Mestrado em Antropologia. Rio de Janeiro: PPGAS-MN/UFRJ.
MARANHAOA festa do Bumba-meu-boi, uma tradição que se mantém desde o século XVIII, arrasta maranhenses e visitantes por todos os cantos de São Luís, nos meses de junho e julho. Longe de ser uma festa criada para turistas, os bois se espalham nas perifeiras e no centro. Na parte nova ou antiga da cidade grupos de todo o Estado se reúnem em diversos arraiais para brincar até a madrugada.
O enredo da festa do Bumba-meu-boi resgata uma história típica das relações sociais e econômicas da região durante o período colonial, marcadas pela monocultura, criação extensiva de gado e escravidão. Numa fazenda de gado, Pai Francisco mata um boi de estimação de seu senhor para satisfazer o desejo de sua esposa grávida, Mãe Catirina, que quer comer língua. Quando descobre o sumiço do animal, o senhor fica furioso e, após investigar entre seus escravos e índios, descobre o autor do crime e obriga Pai Francisco a trazer o boi de volta.
Pajés e curandeiros são convocados para salvar o escravo e, quando o boi ressuscita urrando, todos participam de uma enorme festa para comemorar o milagre. Brincadeira democrática que incorpora quem passa pelo caminho, o Bumba-meu-boi já foi alvo de perseguições da polícia e das elites por ser uma festa mantida pela população negra da cidade, chegando a ser proibida entre 1861 e 1868.
O atual modelo de apresentação dos bois não narra mais toda a história do 'auto', que deu lugar à chamada 'meia-lua', de enredos simplificados. Atualmente, existem quase cem grupos de bumba-meu-boi na cidade de São Luís subdivididos em diversos sotaques. Cada sotaque tem características próprias que se manifestam nas roupas, na escolha dos instrumentos, no tipo de cadência da música e nas coreografias.
Sotaques:
Sotaque de matraca - também conhecido como Ilha, surgiu em São Luís e é o preferido de seus habitantes. O instrumento que dá nome ao sotaque é composto por dois pequenos pedaços de madeira, o que motiva os fãs de cada boi a engrossarem a massa sonora de cada "Batalhão". Além das matracas, são usados pandeiros e tambores-onça (uma espécie de cuíca com som mais grave). Na frente do grupo fica o cordão de rajados, com caboclos de pena.

Sotaque de Zabumba - ritmo original do Bumba-meu-boi, este sotaque marca a forte presença africana na festa. Pandeirinhos, maracás e tantãs, além das zabumbas, dão ritmo para os brincantes.
No vestuário destacam-se golas e saiotas de veludo preto bordado e chapéus com fitas coloridas. O sotaque de zabumba passa por grande crise nos últimos anos devido à falta de novos brincantes interessados em manter as tradições do mais antigo estilo de boi.
Sotaque de Orquestra - ao incorporar outras influências musicais, o Bumba-meu-boi ganha neste sotaque o acompanhamento de diversos instrumentos de sopro e cordas, como o saxofone, clarinete e banjo. Peitilhos (coletes) e saiotes de veludo com miçangas e canutilhos são alguns dos detalhes nas roupas do brincantes.
Sotaque da Baixada - embalado por matracas e pandeiros pequenos, um dos destaques deste sotaque é o personagem Cazumbá, uma mistura de homem e bicho que, vestido com uma bata comprida, máscara de madeira e de chocalho na mão, diverte os brincantes e o público. Outros usam um chapeú de vaqueiro com penas de ema.
Sotaque Costa de mão - típico da região de Cururupu, ganhou este nome devido a uns pequenos pandeiros tocados com as costas da mão. Caixas e maracás completam o conjunto percussivo. Além de roupa em veludo bordado, os brincates usam chapéus em forma de cogumelo, com fitas coloridas e grinaldas de flores.
Atualmente também participam dos arraiais os grupos alternativos, que não entram na programação oficial por terem pouco tempo de existência ou incorporarem novos elementos ao ritmo do Bumba-meu-boi. Um dos mais conhecidos, o Boi Pirilampo, vêm conquistando muitos seguidores por usar instrumentos elétricos como guitarra e baixo em suas apresentações.
Personagens:
Dono da Fazenda - é senhor dono da fazenda. Usa a roupa mais rica e um apito para coordenar a festa. É o responsável pela organização do Batalhão e, em alguns casos, é também o cantador.



Pai Francisco - vaqueiro, veste-se com roupas mais simples. Seu papel durante a brincadeira é provocar risos na platéia. Cada boi pode ter vários deste personagem.


Mãe Catirina - mulher de Pai Francisco. Normalmente representada por um homem vestido de mulher.
Índias - mulheres cobertas por penas no peito, mãos e pernas.
Miolo - brincante responsável pelas evoluções e coreografias do boi.
Vaqueiros - empregados da fazenda. Usam roupas de veludo e chapéus de pena com longas fitas coloridas.
Mutuca - para não deixarem os brincantes dormirem durante as maratonas de apresentação do bois, os mutucas são responsáveis pela distribuição de cachaça a todos.

sábado, 18 de agosto de 2007

Zulu Araujo

Discurso do ministro Gilberto Gil na posse de Zulu Araújo
BRASÍLIA, 7 DE MARÇO DE 2007

Bom dia a todos,O processo eleitoral de 2006 foi marcado pela necessária avaliação política de todo o quadriênio que se encerrava, na avaliação do trabalho realizado por cada segmento do governo. A reeleição do presidente Lula expressou a ampla aprovação popular das ações desenvolvidas neste período de governo. A busca da inclusão de amplas maiorias foi uma marca dos últimos quatro anos de governo. Maiorias submetidas à minorização da cidadania e às restrições de acesso a bens e serviços básicos à sobrevivência com dignidade. Neste vasto contingente está a população brasileira descendente de africanos, excluída de oportunidades, prestígios e poderes por força do racismo. Outra macro-política de referência foi a prioridade atribuída pelo governo brasileiro às relações com os países africanos, o que nos facilitou o intercâmbio cultural com os africanos do continente e com os africanos da diáspora. A Fundação Cultural Palmares jogou um papel essencial nessas duas frentes, ao mesmo tempo em que norteou suas ações pelo fortalecimento da diversidade culturalm eixo estruturante das ações do Ministério da Cultura. Nos últimos quatro anos, a Palmares foi um elemento ativo na execução das políticas de governo e, especialmente, do Ministério da Cultura, deixando de ser o órgão responsável por uma política residual compensatória para participarmos ativamente de uma política de governo, executada em cooperação por vários ministérios.Como exemplo, podemos citar a participação solidária da Palmares na montagem do programa Brasil Quilombola, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, do programa de Segurança Alimentar, do Ministério do Desenvolvimento Social, das ações de regularização fundiária, do Instituto Nacional de Colonização e reforma Agrária, implementação da Lei 10.639, do Ministério da Educação, da política de intercâmbio cultural com a África, do MRE, cuja culminância foi a realização da II Conferência de Intelectuais da África e da Diáspora em Salvador, no mês de Julho de 2006. No âmbito do Ministério da Cultura, a Palmares participou ativamente de todas as instâncias colegiadas, principalmente da Comissão de Incentivo à Cultura, vinculada às decisões relativas ao financiamento de projetos através do Fundo de Cultura e da Lei Rouanet. Desenvolveu cooperação intensa com a Secretaria de Audiovisual, com o programa Pontos de Cultura e, especialmente, com a Secretaria da Diversidade e Identidade. Para além do executivo, a Palmares manteve e expandiu a colaboração institucional com o Poder Legislativo, mediante a execução de emendas parlamentares ao orçamento federal. O mesmo foi observado relativamente a prefeituras municipais, principais beneficiárias destas emendas parlamentares.A Fundação Cultural Palmares buscou, igualmente, a articulação com organizações da sociedade civil e com autarquias e organizações civis de interesse público, especialmente com as universidades e centros universitários. O Decreto-lei nº 4.887, de 20 de novembro de 2003, definiu como responsabilidades específicas da Fundação Cultural Palmares o registro e certificação das comunidades remanescentes de quilombos, a preservação de suas culturas e identidades e a proteção jurídica das comunidades reconhecidas contra toda a sorte e turbação, esbulho ou agressão. Neste ano de 2006 conseguimos atingir a meta de registro e certificação de mil comunidades, mais precisamente de 1002 comunidades até 31 de dezembro de 2006. Todas estas foram atingidas, de alguma forma, por ações de órgãos do governo federal, nas áreas de educação, saneamento, desenvolvimento agrário, direitos humanos, trabalho e renda, segurança alimentar e cultura. A Fundação Palmares ocupou-se especialmente da capacitação das comunidades remanescentes de quilombo para as tarefas da auto-sustentabilidade, com ações de fortalecimento da economia, desenvolvimento do associativismo e intercâmbio cultural entre regiões. Empenhou-se igualmente no trabalho de consolidação de cidadania, com ações educativas voltadas para a informação sobre direitos e sobre procedimentos de auto-defesa comunitária. Empenhou-se na defesa das comunidades em contenciosos em juízo e fora dele. A Palmares construiu um marco: a partir dos últimos quatro anos, a política de sustentabilidade e de proteção patrimonial e cultural das comunidades remanescentes de quilombos deixou de ser a coleção de ações pontuais e simbólicas para constituir-se em uma política de governo coordenada, ampla, capaz de atender um número expressivo de comunidades em todo o território nacional. A Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, criou a obrigatoriedade da inclusão da matéria História e Cultura Afro-brasileira em todos os currículos das escolas brasileiras. Esse foi o grande desafio para todos os educadores e intelectuais negros e negras do Brasil. Era preciso reconstruir currículos, reinventar metodologias e, acima de tudo, produzir os suportes pedagógicos para o ensino desta matéria. Cada um fez a sua parte, MEC, SEPPIR, universidades. A Fundação Cultural Palmares dirigiu toda a sua ação editorial para este fim, editando obras acadêmicas, manuais, cartilhas, seletas, vídeos documentários, programas de rádio. Foram produzidos mais de 20 itens impressos, uma tiragem total de 50 mil exemplares, distribuídos em todo o território nacional. Destacamos a produção e distribuição da Revista Palmares, dedicada a temas como a cultura hip-hop e o renascimento africano.É importante relembrar que, até o presente momento, quatro anos após a promulgação da lei nº 10.639/03, estes são os primeiros livros de referência especialmente produzidos para o ensino desta matéria, pela política publica cultural. O acesso aos meios de comunicação, tradicionais e eletrônicos, é condição fundamental para a divulgação e valorização da cultura negra e, por conseqüência, instrumento para a erradicação do racismo no Brasil. A política de comunicação da Palmares esteve voltada para esta tarefa. Os filmes e documentários digitalizados pela Palmares estão sendo exibidos em várias Tvs públicas e universitárias. Destacamos a série de programas Nossa Imagem, produzido pelo Dr. Celso Prudente, da USP, sobre arte e cinema negro, exibida hoje por várias redes de Tvs públicas, universitárias e comunitárias. Através das ondas do rádio, veiculamos, em 4.276 emissoras de radio no país, 150 programas das 5 séries produzidas pela FCP. Em 2006, foi realizada a II Conferência de Intelectuais da África e da Diáspora, organizada pelo governo brasileiro através do Ministério das Relações Exteriores, com expressiva participação da Fundação Cultural Palmares na concepção, montagem e realização de uma Conferência com a participação de 1.000 intelectuais brasileiros, africanos e negros de todas as diásporas. Além disso, a FCP organizou sozinha a CIAD Cultural, um conjunto de atividades simultâneas à conferência, que mobilizou toda a Cidade do Salvador. Organizou igualmente o Fórum de Diálogos entre os intelectuais e a comunidade negra. Por tudo isso, podemos dizer que a Fundação Cultural Palmares, nos últimos quatro anos, ultrapassou um ponto de não-retorno. Todo o trabalho realizado afirma nossa decisão de que nunca mais a Palmares seja uma instituição simbólica, sem poder, desarticulada e sem recursos, anteparo político à insatisfação do Movimento Negro Brasileiro. Mais do que isso, acreditamos que, nos próximos quatro anos, vamos avançar, aprofundar e dar escala ao que já se afirma como um marco da política cultural pública executada pela Palmares. Para isso, a Palmares precisa de recursos financeiros e de recursos humanos. Para ampliar suas atividades e para melhor cumprir a sua missão de combate ao racismo e de valorização da cultura negra brasileira. Esse é o nosso compromisso.Muito obrigado!

Oxalá lhes abençoe...

sexta-feira, 29 de junho de 2007

A Grande Refazenda

Brasília - A Associaçao Cultural Os Negões, em parceria com o Centro de Estudos Mário Gusmão e Fundação Cultural Palmares/MinC participam do lançamento oficial do livro "A Grande Refazenda - África e Diáspora Pós II CIAD". O evento acontece na quinta-feira, 14 de junho, às 19h, na Fundação Casa de Jorge Amado, em Salvador, BA.
Idealizada pela Fundação Palmares/Ministério da Cultura, A Grande Refazenda - África e Diáspora Pós II CIAD reúne o olhar de intelectuais e protagonistas do processo de afirmação étnica brasileira sobre as conseqüências trazidas pela Conferência e o CIAD CULTURAL, na construção da democracia racial brasileira e na inter-relação do Brasil com a África e os demais países diásporos.
Um olhar não único, mas diverso, numa pluralidade complementar de propósitos e objetivos comuns, de tal forma que conjunto de artigos aqui reunidos expressa o mesmo respeito à diversidade que norteia o sentimento e o esforço daqueles que buscam construir um mundo igualitário, liberto das barreiras do preconceito e intolerância.
O título A Grande Refazenda vem do artigo assinado pelo ministro da Cultura Gilberto Gil, um convite ao engajamento de todos nós, de todas as raças, culturas e países, no processo de refazer caminhos na direção do renascimento africano, entendendo a África como elemento primordial na construção de uma nova ordem mundial, que contemple prioritariamente o sentido humano.
E na busca desse sentido humano, A Grande Refazenda abre espaço para o pensamento acadêmico, representado por nomes como Edna Roland, Íris Amâncio, Jocélio Teles dos Santos, Lepê Correia, Paulo Miguez e Carlos Alberto Medeiros; para a visão da militância de quem luta a favor da igualdade racial, expressa pelas palavras de João Jorge Rodrigues e Jorge Portugal; a poesia diáspora de José Carlos Capinam; a sensibilidade de quem reconstrói versões da realidade, na percepção do cartunista Maurício Pestana; o aprendizado trazido na ancestralidade da fé, através de Vilma Santos Oliveira, a Mãe Mukumby; e a perspectiva de quem atua na condução das políticas institucionais, pelo ministro Gilberto Gil, o presidente da Fundação Palmares Zulu Araújo e o coordenador da II CIAD e diplomata do Itamaraty, Marcelo Dantas.
Em todos os autores, a preocupação de traduzir o sentimento renovador, a busca por um renascimento africano, capaz de inspirar um novo posicionamento nas relações internacionais. Um processo em que cabe ao Brasil, conforme evidenciaram os textos reunidos em A Grande Refazenda, o papel de ser um dos protagonistas ativos, de estabelecer uma ponte ligando os dois lados do Atlântico, como sentenciou o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo.
SERVIÇO:
Evento: Lançamento do livro "A Grande Refazenda " - África e Diáspora Pós II CIAD Data: Quinta-feira, 14 de junho de 2007 Local: Fundação Casa de Jorge Amado. Largo do Pelourinho, Salvador, BA Horário: 19h Realização: Associação Cultural Os Negões Promoção: Fundação Cultural Palmares/Ministério da Cultura Apoio: Ministério da Cultura e Ministério das Relações Exteriores
Oscar Henrique Cardoso, FCP/MinC